85,8% dos desenvolvedores de games no Japão adotam IA generativa

A presença da inteligência artificial generativa na indústria de jogos japonesa segue crescendo. De acordo com dados preliminares da Computer Entertainment Supplier’s Association (CESA), já são 85,8% dos desenvolvedores ouvidos que afirmam utilizar essas ferramentas em seus processos de criação.
Essas informações foram apresentadas na Tokyo Game Show 2026 e fazem parte de uma prévia do Relatório da Indústria de Videogames de 2026, que será publicado na íntegra em dezembro deste ano.
O estudo obteve cerca de 1.349 respostas válidas de profissionais atuantes em várias empresas do setor, incluindo nomes como Capcom, Sega, Level-5 e Konami.
Crescimento do uso de IA generativa no Japão
Os dados da pesquisa indicam que a IA generativa já é uma parte considerável do dia a dia dos desenvolvedores. Dos entrevistados, 63% relataram o uso diário da tecnologia, enquanto 22,8% disse utilizá-la de forma esporádica.
No levantamento anterior feito pela CESA em 2025, havia uma taxa de adesão de 51% entre 54 empresas consultadas. A comparação direta entre as duas pesquisas é difícil, dado que foram realizadas com amostras distintas.
Os principais benefícios da IA, reconhecidos pelos desenvolvedores, incluem incremento na produtividade, diminuição do tempo para a criação de jogos, além da redução nos custos de produção.
Aplicações da IA nos estúdios japoneses
A prévia do relatório de 2026 ainda não especificou como a tecnologia está sendo utilizada, mas o levantamento de 2025 oferece uma visão sobre suas aplicações. As utilizações mais comuns incluíam a criação de elementos visuais, geração de textos e conteúdos narrativos, além do suporte à programação.
Durante essa pesquisa, 32% das empresas informaram que utilizam IA na criação de engines gráficas internas.
Essas ferramentas têm potencial para automatizar tarefas específicas e acelerar algumas etapas do desenvolvimento, embora a qualidade dos resultados dependa da avaliação e acompanhamento humano.
Desafios relativos a direitos autorais e supervisão
Mesmo com o avanço na adoção da IA generativa, há desafios relacionados à propriedade intelectual e à qualidade do material produzido. De acordo com a pesquisa, a supervisão humana, correção e revisão dos conteúdos gerados são as práticas de segurança mais citadas.
Além disso, as empresas estão definindo ferramentas permitidas e restringindo o uso de conteúdos produzidos sem supervisão adequada.
Tsutomu Masuda, CEO da CESA, comentou que os resultados refletem uma ampla e consistente aceitação da IA no setor de desenvolvimento. Ele enfatizou a importância de equilibrar inovações tecnológicas com a proteção dos direitos autorais e processos criativos que priorizam os seres humanos.
O relatório completo, que será lançado em dezembro de 2026, deverá aprofundar como os profissionais no Japão estão integrando a IA generativa na produção de jogos.
Rachele Victoria, que tem formação em Letras e MBA em Inovação, atua na área de comunicação e conteúdo gamer há uma década.
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