Anvisa Investiga Casos de Lesões Oculares Raras de Usuários de Canetas
Investigação em Andamento A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está analisando 13 relatos de Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Não Arterítica (Noia) entre brasileiros que utilizaram fármacos agonistas de GLP-1 e tirzepatida. Essa condição, uma lesão rara do nervo óptico, é comparável a um "infarto" dos vasos sanguíneos que irrigam os olhos, podendo resultar numa perda de visão de forma repentina e irreversível.
Até o momento, a Anvisa registrou notificações no seu painel de farmacovigilância, que englobam pacientes que usaram Ozempic (5 casos), Wegovy e suas variantes (5 casos), Rybelsus (2 casos) e Mounjaro (1 caso). Embora esses relatos estejam sendo investigados, a Anvisa enfatizou que isso não estabelece uma relação de causa direta.
Estudos e Atualizações nas Bulas O tema ganhou destaque mundial após a publicação de uma pesquisa na revista JAMA Ophthalmology, que indicou uma taxa de diagnóstico de Noia entre 4 e 7 vezes maior em pacientes tratados com semaglutida em comparação a outros medicamentos. Especialistas levantam questões sobre este estudo, uma vez que condições médicas preexistentes, como diabetes, podem afetar a circulação do nervo óptico.
- Atualização nas Bulas: Em junho de 2025, a Anvisa incluiu a Noia como uma reação adversa extremamente rara nas bulas de medicamentos que contêm semaglutida.
- Outras Queixas Visuais: Além das notificações sobre Noia, a Anvisa também recebeu 74 reclamações sobre problemas visuais de consumidores, destacando episódios de visão turva e redução temporária da acuidade visual.
Recomendações Médicas e Respostas das Empresas Profissionais de oftalmologia e sociedades médicas afirmam que, apesar dos riscos potenciais, o balanceamento entre benefícios e riscos para pacientes com a necessidade de tratamento para obesidade, diabetes tipo 2 ou hipertensão é considerado positivo. Eles aconselham que em caso de perda de visão súbita, o uso do medicamento deve ser interrompido de imediato, prevenindo o uso estético em indivíduos sem a devida indicação:
- Novo Nordisk: A companhia responsável por Ozempic, Wegovy e Rybelsus declarou que estudos com mais de 83 mil pacientes-ano não mostraram um aumento na incidência da Noia em comparação ao grupo controle, reafirmando a segurança dos agonistas de GLP-1.
- Eli Lilly: A fabricante do Mounjaro assegurou que está sempre atenta a relatos sobre segurança e eventos adversos, mantendo comunicação constante com as autoridades regulatórias em diversos países.