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Mauro Cezar defende apostas e levanta questões sobre ética

Redação · 02 de out. de 2026, 22:19
Mauro Cezar defende apostas e levanta questões sobre ética

No último dia 17, o jornalista Mauro Cezar Pereira, em um artigo para o UOL, manifestou seu apoio às casas de apostas, afirmando que uma ação contra este mercado pelo governo poderia representar um verdadeiro "suicídio eleitoral" para o presidente Lula. No texto, ele elenca uma série de argumentos que abrangem questões fiscais, esportivas e políticas, se opondo à criação de barreiras para o setor.

Contudo, cabe destacar que em abril, Mauro foi nomeado como embaixador da Vai de Bet, uma plataforma de apostas. No momento de sua contratação, o jornalista afirmou ter fechado um acordo com a empresa, da qual já tinha uma colaboração anterior em projetos voltados para o futebol. Essa associação é visível em suas transmissões, que contam com o patrocínio da Vai de Bet, onde ele menciona a marca como parceira.

Em sua crítica, Pereira alerta que uma regulamentação severa ou uma proibição total poderia afetar os R$ 1 bilhão que as casas de apostas injetam anualmente no futebol do Brasil, além de causar insatisfação entre torcedores em relação a Lula. Pesquisa da More in Common/Ipsos-Ipec mostra que 68% dos brasileiros são a favor da proibição dos patrocínios de apostas aos clubes, enquanto apenas 19% desejam que esses acordos se mantenham devido aos benefícios financeiros que oferecem.

Além disso, um manifesto feito por torcedores expressou descontentamento sobre o apoio que os clubes têm dado ao setor. A argumentação de Mauro, focada na arrecadação estadual e nos lucros dos clubes oriundos do setor, ignora as perdas que afetam os jogadores devido às apostas.

Dados do Ministério da Fazenda indicam que até agosto, 43,8 milhões de brasileiros haviam realizado apostas em plataformas digitais, o que representa 27% da população adulta. No primeiro semestre de 2023, os apostadores registraram um prejuízo de R$ 20,2 bilhões.

O jornalista tornou-se um defensor fervoroso das apostas, ressaltando as consequências que uma proibição poderia acarretar. Ele sublinha que, em tempos de dificuldades financeiras para muitos clubes, a reação dos torcedores nas próximas eleições será previsível: "Com tantas torcidas grandes vendo seus times endividados e debilitados, é fácil antever a reação de milhões deles nas urnas."

Vale ressaltar que a relação comercial de Mauro Cezar com o setor de apostas e sua defesa em coluna geram questionamentos sobre um possível conflito de interesses. Embora isso não invalide suas afirmações, a falta de clareza acerca de sua posição pode comprometer a visão do leitor, especialmente em um artigo com previsões decisivas sobre as consequências políticas e econômicas de ações contra as apostas.