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Reforma na Jornada de Trabalho Afeta Setor Agropecuário

Redação · 16 de out. de 2026, 21:53
Reforma na Jornada de Trabalho Afeta Setor Agropecuário

A proposta de redução da carga horária de trabalho no Brasil pode resultar em elevados custos operacionais para diversas empresas do setor agro, como frigoríficos, usinas de açúcar e etanol e indústrias alimentícias. Um estudo do BTG Pactual indica que a nova jornada de trabalho 6x1 poderá acentuar os gastos anuais em até R$ 824 milhões para a MBRF e impressionantes R$ 1 bilhão para a JBS. Já a M. Dias Branco poderia enfrentar uma diminuição de cerca de 15% em seu lucro líquido previsto para 2027.

O relatório, intitulado 'O Preço de uma Semana de Trabalho Mais Curta', examina as métricas financeiras de empresas nos segmentos de alimentos, bebidas e agronegócios no Brasil. Ao considerar a nova carga de 42 horas em um plano gradual, que começaria a funcionar dois meses após a aprovação da legislação e culminaria em 40 horas ao longo de 12 meses, a análise do BTG inclui custos para compensar as horas não trabalhadas, sem alterar os salários.

As usinas de açúcar e etanol aparecem entre as mais impactadas, já que a contratação de mão de obra adicional para ajustar os turnos é inevitável. O estudo estima que a São Martinho terá um custo extra anual de R$ 193 milhões, a Jalles Machado R$ 48 milhões e a Adecoagro R$ 104 milhões, correspondendo a 5,1%, 3,3% e 2,9% do Ebitda projetado para 2027, respectivamente.

Ainda conforme o estudo, a M. Dias Branco deverá ter um acréscimo significativo de R$ 163 milhões, representando 12,8% do seu Ebitda e 15% do lucro líquido projetado para 2027. Para a Camil, a estimativa é de R$ 53 milhões, ou 4,5% do Ebitda e 12% do lucro líquido. Na contramão, a Ambev pode se beneficiar com um aumento de apenas R$ 311 milhões em despesas, algo que significa apenas 1% de seu Ebitda.